FASE alerta que o Encargo de Reserva de Capacidade pode ultrapassar R$ 150 bilhões; tema merece atenção do Congresso e do debate público para preservar previsibilidade, transparência e o bolso do consumidor.
Quem acompanha o Congresso sabe: ao longo dos últimos anos, a Câmara e o Senado foram decisivos para consolidar a energia solar e outras fontes limpas como instrumentos de autonomia do consumidor, competitividade e transição energética. É exatamente por esse histórico que vale acender um alerta: um tema com potencial de impacto amplo na conta de luz está ganhando corpo — e ainda chega ao público com informação insuficiente para um debate transparente.
Na última semana, Mário Menel, presidente do Fórum das Associações do Setor Elétrico (FASE), afirmou que o Encargo de Reserva de Capacidade (ERCAP) pode ultrapassar R$ 150 bilhões nos próximos anos. Para o cidadão, a tradução é direta: encargos são custos sistêmicos e tendem a pressionar tarifas e preços na economia real.
No mesmo período, em meio às sinalizações públicas do Ministério de Minas e Energia de que os preçosteto seriam corrigidos, a ANEEL aprovou a atualização desses valores para os editais dos Leilões de Reserva de Capacidade. O ponto aqui não é demonizar tecnologia nem negar a importância de potência firme para a segurança do sistema. O ponto é de governança: quando parâmetros econômicos e encargos de grande escala entram em jogo, a sociedade precisa enxergar claramente o que mudou, por que mudou e quanto pode custar.
Em contraste, parte do debate público tem concentrado energia em atribuir à geração distribuída (como o solar no telhado) o rótulo de “encarecimento do sistema”, como se o tema estivesse encerrado. Mas esse encontro de contas ainda não está tecnicamente esgotado: a própria ANEEL mantém discussões e coleta de contribuições sobre como valorar custos e benefícios da MMGD. Em outras palavras: ainda há metodologia a consolidar — e, portanto, ainda há debate legítimo a fazer com evidências e transparência.
Para o Congresso — que historicamente tem sido aliado da energia limpa e do consumidor — a oportunidade é positiva: trazer luz a um tema que mistura custo, transparência e previsibilidade, evitando que a discussão da conta de luz vire uma fiscalização seletiva. Quando a justificativa é “proteger o consumidor”, a régua de transparência precisa valer para todos os componentes que pesam na tarifa, especialmente os de maior magnitude.
Se a estimativa de encargos bilionários se confirma, o país ganha com uma agenda pública objetiva:
- memória de cálculo e premissas publicizadas de forma auditável;
- estimativas oficiais de impacto tarifário e de sensibilidade;
- linguagem acessível para a sociedade entender o que está sendo contratado e por quê.
Energia firme é importante — mas transparência e coerência regulatória também são.
Fonte: https://www.congressoemfoco.com.br/artigo/116886/conta-de-luz-e-energia-limpa-um-alerta-ao-congresso
