Sem qualidade verificável, o desconto de hoje pode comprometer a garantia de amanhã Um módulo fotovoltaico pode ficar mais barato porque a tecnologia avançou, a fábrica ganhou escala e a logística melhorou. Esse é um ganho que merece ser celebrado. Também pode parecer mais barato porque entrega menos do que anuncia, não oferece assistência efetiva ou chega ao mercado sem cumprir obrigações. Na proposta comercial, os dois descontos podem se parecer. Para o consumidor, e para o futuro do setor, representam caminhos profundamente diferentes. A energia solar cresceu apoiada na inovação, no empreendedorismo e na redução de custos. Preservar essas…
Autor: Giovanna
Processo no TCU segue aberto, sem conclusão pública sobre o sobrepreço potencial de até R$ 214 bilhões O Decreto nº 13.097, assinado em 12 de agosto, regulamentou uma mudança necessária: consumidores industriais e comerciais de baixa tensão poderão escolher seu fornecedor de energia a partir de 25 de novembro de 2027; os demais, inclusive residenciais, em 25 de novembro de 2028. A abertura amplia a concorrência e a liberdade de escolha. Para gerar confiança, precisa começar com números que possam ser conferidos. O ministro Alexandre Silveira, titular do MME (Ministério de Minas e Energia), estimou que a migração poderá reduzir…
Compensação e operação da rede entram em uma agenda que pode alterar a economia dos projetos de MMGD A MMGD (microgeração e a minigeração distribuída) brasileira entra em uma fase em que o resultado dos projetos dependerá cada vez mais das regras de compensação, das tarifas e das condições de operação da rede. Discussões com origens e calendários distintos avançam em paralelo e poderão produzir efeitos sobre um mesmo investimento. A dimensão alcançada ajuda a compreender esse movimento. Segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), a capacidade instalada de MMGD passou de 36,2 GW, em 2024, para 45 GW, em…
Previsão de fontes de “baixa emissão” pode incluir combustível fóssil. Para especialista, regras devem priorizar energia renovável e estimular data centers a aproveitar excedentes hoje desperdiçados por cortes na geraçãoO programa de incentivo à instalação de data centers no Brasil, o Redata, precisa de ajustes para conciliar a atração de investimentos com objetivos ambientais e as condições do sistema elétrico. Para Wladimir Janousek, secretário de Indústria e Comércio do Instituto Nacional de Energia Limpa (Inel), a regulamentação deve garantir acesso efetivo a fontes renováveis e evitar que a previsão de fontes de “baixa emissão” abra espaço para o gás natural.…
Data centers e baterias poderiam transformar energia limpa desperdiçada em investimentoO mesmo país que manda usinas solares e eólicas reduzir a produção acaba de aprovar incentivos para uma indústria que consome eletricidade sem parar. A contradição parece absurda. É real — e o Redata poderia ter ajudado a enfrentá-la. Quando sobra energia que o sistema não consegue consumir ou transportar, o operador manda algumas usinas gerar menos. É o chamado curtailment, necessário às vezes para proteger a rede. Quando vira rotina, porém, expõe um planejamento falho: temos sol e vento, mas faltam transmissão, demanda bem localizada e meios de guardar…
Projeto deve aproveitar excedentes renováveis, ampliar a flexibilidade e não equiparar gás fóssil a energia limpa A votação do projeto que institui o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center, o Redata, exige um debate energético proporcional à sua importância econômica. Mais do que conceder incentivos tributários, o Brasil está decidindo como pretende oferecer energia, infraestrutura e segurança operacional a uma das atividades mais estratégicas da nova economia. A preocupação começa pelo tempo disponível para conhecer o texto que efetivamente será submetido ao Senado. O senador Cid Gomes foi designado relator na sexta-feira, 28 de agosto, quando o…
Setor cresceu rapidamente, mas qualificação e rastreabilidade de quem executa instalações não avançaram no mesmo ritmo Quando um telhado desaba durante ou depois da instalação de um sistema fotovoltaico, a imagem da energia solar inevitavelmente aparece no centro da notícia. As causas de cada acidente precisam ser investigadas tecnicamente. Não é correto atribuir automaticamente a responsabilidade aos painéis solares sem uma perícia conclusiva. Mas também não podemos tratar episódios dessa natureza como fatalidades isoladas e seguir adiante sem fazer uma pergunta incômoda: quem garante que o profissional responsável pela instalação realmente está preparado para executar o serviço? O setor solar…
O desafio do setor elétrico não é conter a descentralização, mas adaptar suas instituições a uma economia que já mudou Por Heber Galarce- Presidente do INEL O economista austro-americano Joseph Schumpeter (1883-1950), um dos principais formuladores da teoria do desenvolvimento econômico no século XX, demonstrou que o progresso ocorre por um processo de “destruição criativa”: novas tecnologias não apenas substituem soluções anteriores, mas reorganizam mercados, redistribuem investimentos e transformam a forma como a sociedade produz riqueza. Por isso, quase toda inovação relevante enfrenta resistência. Não porque seja tecnicamente inviável, mas porque desafia estruturas concebidas para outra realidade. O setor elétrico…
Proposta do Idec para data centers reforça a necessidade de valorar também os benefícios da GD O Idec levou ao Senado uma discussão importante: se os data centers provocarem custos adicionais ao sistema elétrico, esses custos devem ser identificados pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) e atribuídos a quem os causou, evitando sua transferência indiscriminada aos demais consumidores. O princípio é correto, mas precisa ser aplicado por inteiro. Se o sistema consegue identificar e valorar o custo provocado por um agente, deve ser igualmente capaz de identificar e valorar os benefícios proporcionados por outro. É exatamente essa discussão que precisa…
O Brasil precisa medir políticas públicas pelos empregos criados, não apenas pelos empregos preservados. Michael Porter demonstrou que a prosperidade de uma nação depende da capacidade de transformar seus recursos e competências em vantagens competitivas. No Brasil, porém, políticas públicas ainda são frequentemente avaliadas pelos custos que impõem e pelos empregos que preservam em setores estabelecidos, enquanto os novos postos de trabalho, a renda e a produtividade que podem gerar recebem atenção muito menor. A reforma do processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação oferece um exemplo claro dessa mudança de perspectiva. Segundo o Ministério dos Transportes, mais de…